Artigos e textos de Manoel Nascimento

A fotografia como instrumento da documentação e preservação da memória: arte e sobrevivência no alto Vale do Ribeira

Leia o Mestrado

O objetivo principal da presente pesquisa é fundamentar a fotografia como instrumento de reconstrução histórica e cultural da produção de utilitários de cerâmica no Alto Vale do Ribeiro, uma das últimas regiões a produzir a cerâmica no modo tradicional, sem o uso do torno. Tal artesanato constitui o corpus do mestrado. Trata-se de mostrar como, sob essa pressão, foi alterado profundamente o repertório dos ceramistas. Teoricamente, o trabalho mobiliza um conjunto de obras sobre a história da fotografia e a questão da memória, a exemplo daqueles assinados por Boris Kossoy, Jorge Pedro Souza, Susan Sontag, Roland Barthes. Metodologicamente, trata-se de uma exaustiva pesquisa de campo, que é complementada por uma pesquisa bibliográfica. A investigação in loco possibilitou o registro fotográfico das formas de organização do trabalho comunitário em três comunidades, das relações sócio-econômicas dos grupos e suas alternativas de trabalho. Acreditamos poder apontar como resultado o papel predominante da mulher no processo de produção e de transmissão de conhecimento, e o risco de extinção do artesanato de cerâmica nessas comunidades. Tal possibilidade é agravada pela precariedade do ambiente sócio-econômico em que os grupos estão inseridos. Nesse aspecto, o papel da fotografia é o de contribuir não apenas para a criação como para o atendimento da demanda social local, evitando o esquecimento de todo o processo de fazer cerâmica ainda sem o uso do torno

A preservação da memória do movimento flamenco nas fotografias de Manoel Nascimento. Técnicas e perspectivas históricas

Leia o Artigo

O texto aborda o desafio central de museus e centros de fotografia em revelar e digitalizar imagens em negativo, uma necessidade que se tornou fundamental com o tempo, especialmente em sistemas de ensino e arquivamento. O declínio do filme, que após os anos 2000, com as câmeras digitais, o uso de filmes fotográficos diminuiu drasticamente, resultando no esquecimento e abandono de vastos arquivos em negativos.Antes dos celulares, fotógrafos profissionais dominavam a técnica de captação e revelação de filmes, mas com o tempo, laboratórios foram desativados e a digitalização de negativos foi abandonada. Para suprir essa lacuna, o Projeto de Extensão do Centro de Comunicação e Letras da Universidade Presbiteriana Mackenzie (São Paulo) desenvolveu uma técnica para digitalizar fotografias do movimento flamenco (Acervo Manoel Nascimento). Após descartar o scanner de negativos, o projeto optou por usar uma estativa, uma câmera DSLR full-frame e uma fonte de luz LED vinda de baixo. O processo é comparado ao sistema de ampliação, mas invertido (a imagem do negativo é captada pela câmera). O método se mostrou satisfatório, gerando imagens de 48 Mb em alta qualidade, que serão disponibilizadas para consulta pública no acervo do Centro Histórico e Cultural Mackenzie.

A fotografia nas metrópoles: urbanização e cotidiano no Séc. XIX

Leia o Artigo

O artigo aborda a trajetória da fotografia, desde suas origens na Europa até sua chegada e desenvolvimento nas principais cidades brasileiras durante o Oitocentos. A busca pela fixação de imagens remonta à antiguidade. No contexto da Revolução Industrial e do avanço do cientificismo, a pesquisa química possibilitou a fixação de imagens em suportes, como os experimentos com prata no século XVIII. Joseph Nicéphore Niépce desenvolveu a Heliografia em 1826. Posteriormente, Louis Daguerre descobriu que o vapor de mercúrio podia revelar uma imagem latente em placas de cobre recobertas com prata sensibilizada, processo que batizou de Daguerreotipia em 1839. Este invento se popularizou rapidamente nas metrópoles da época. No Brasil, a Daguerreotipia chegou quase simultaneamente à sua invenção. O Imperador Dom Pedro II, com apenas 14 anos, tornou-se o primeiro brasileiro a adquirir e utilizar um daguerreótipo em março de 1840, por intermédio do abade francês Louis Compte. A Corte, no Rio de Janeiro, tornou-se o primeiro centro irradiador da fotografia no país. Dom Pedro II foi uma figura central, atribuindo comendas e títulos aos fotógrafos, como a dupla Buvelot & Prat, que receberam o título de “Photografos da Casa Imperial” em 1851.

Registro fotográfico do acervo do Centro Histórico e Cultural Mackenzie: Consulta e Produção de Catálogo

Leia o Artigo

O objetivo deste texto é abordar a fotografia como instrumento de documentação e registro historiográfico. Para isso, a documentação fotográfica de objetos pertencentes ao Centro Histórico e Cultural da Universidade Presbiteriana Mackenzie será realizada e apresentada neste texto. O Centro Histórico e Cultural fica em São Paulo e ocupa o prédio de número 1 no campus da Universidade. Dentro da diversidade de objetos presentes no acervo foram escolhidos alguns itens para o exercício do registro histórico por meio da fotografia. Neste texto, vamos abordar alguns aspectos históricos da própria linguagem fotográfica, a fim de situá-la no contexto das linguagens e de seu papel na construção e permanência das memórias individuais e coletivas. Este aspecto é importante de ser enfatizado, uma vez que estes objetos possuem relações de memória com diversos indivíduos, mas também fazem parte da memória coletiva de uma instituição, no caso, a Universidade Presbiteriana Mackenzie. 

A imagem como documentação do meio ambiente

Leia o Artigo

El trabajo delinea el recorrido del uso de la imagen para ilustrar el medio ambiente. Desde Jean Baptiste Debret se utiliza la imagen, más especí camente la ilustración, para representar el medio ambiente y los viajes. En Brasil, incluso antes de la invención de la fotografía en 1839, ya había registros de imágenes de la ora y de la fauna brasileñas. Más adelante, nos deparamos con Victor Frond – autor del primer libro fotográ co – y llegamos a los días de hoy, con los registros fotográ cos de espeleología. Las fotografías de paisajes de Brasil, desde el principio, tuvieron el propósito de representar lo real y, de esta manera, mostrarle al extranjero cómo era el paisaje brasileño. En esta línea de pensamiento, las fotografías siempre estuvieron relacionadas al tema ambiental, y siempre han sido valoradas y muy apreciadas. Lo que cambia con el transcurso del tiempo es su uso. Al principio, el valor de la fotografía residía en su poder de copiar lo real. Ella ha mantenido por mucho tiempo .esa característica y aún hoy conserva, en gran parte, esa ideia de ser una copia de lo real